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Códigos Baseados na Forma 1/3.

A Conde Design publica uma série de artigos sobre Urban Design, começando com códigos baseados na forma.
30 Abr 2019

No último século, a forma tradicional de urbanismo, baseada na interação de atividades entre si entre o espaço privado e público declinou como guia na construção de edifícios e no desenvolvimento de configurações urbanas de maior escala. Mais recentemente, a aplicação do planejamento das cidades e seus componentes se baseou na adoção de mapas bi-dimensionais que definem categorias de uso do solo por zonas, estas muitas vezes abrangendo áreas significantes dentro de um único uso do solo possível.

O resultado é o desencorajamento de um urbanismo compacto e humano, que leve em consideração tipo e a qualidade dos espaços desejados para que uma determinada comunidade atinja seus objetivos. A quebra deste padrão se faz urgente.

Introdução

Códigos de edificação baseados na forma, ou CEBFs,  são ferramentas de planejamento urbano esboçadas como complemento de um Plano Diretor para uma determinada área que irão, baseados em formas arquitetônicas e urbanista testadas pelo tempo,  fornecer os parâmetros para que a forma física final atinja a visão traçada para aquela comunidade. A qualidade do produto final depende totalmente dos objetivos estabelecidos pelo Plano.

Códigos de edificação baseados na forma, de edificios e de espacos entre eles, os espacos abertos, são ainda uma resposta recente a explosão da mancha urbana em grandes cidades, a deterioração das qualidades físicas e sociais de vizinhanças históricas, a necessidade de segurança e conforto para motoristas e pedestres, entre muitos outros problemas enfrentados atualmente nas cidades do mundo inteiro.

Definição

Um código baseado na forma, é uma lei de regulamentação de uso do solo que apresenta resultados positivos e previsíveis na produção de edifícios e espaços abertos de alta qualidade. Usando a forma física de cada elemento como organização do código, ao invés da pura separação e quantificação de usos, é um meio seguro para atingir objetivos urbanísticos.

Sendo uma regulamentação, não uma mera recomendação, a ser produzida e fiscalizada por agentes públicos e privados, deverá ser adotado como lei aplicável no espaço físico de um empreendimento especifico, de um distrito ou corredor, de uma cidade ou até mesmo de uma região ou país.

Escopo

Um CEBF define objetivos e estabelece limites físicos , máximos e mínimos, para garantir a esperada relação entre as fachadas dos edifícios e o espaço público adjacente, a forma e a massa edilícia e a relação dos edifícios entre si, e escala e tipologia de espaços públicos como ruas e praças.

Esse conjunto de regras deverá ser seguido por designers encarregados de desenvolver cada componente de um novo empreendimento ou mesmo de uma intervenção em um bairro existente, por exemplo, na forma de regulamentações e padrões a serem seguidos, apresentados de forma clara com o uso de imagens de referência, diagramas e texto complementar.

Diferenças para o Zoneamento

O zonemanto que estamos acostumados na grande maioria das cidades no mundo se encarrega de controlar a densidade e de micro-gerenciar a segregação de usos de uma determinada área ou parcela. Tal abordagem quase na totalidade das vezes resulta na produção de parâmetros abstratos, tais como coeficientes de aproveitamento, recuos mínimos, gabaritos máximos, na maioria das vezes não coordenados entre si e com resultantes muito dificilmente previsíveis.

Enquanto o  zoneamento convencional se preocupa com a distinção de usos-do-solo, pura e simplesmente, um CEBF vai definir tipologias de edifícios e sua interface com os espaços abertos, tipologias de espaços abertos e todos os elementos necessários para garantir a forma e escala apropriada para edifícios e espaços públicos, garantindo a obtenção de uma forma urbana integrada.

Saiba mais no próximo artigo.

 

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